Conferência com sociedade e poder público debate desenvolvimento sustentável
A abertura da etapa local da Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ocorrida na sexta-feira (24/4), na Una Contagem, foi marcada por discursos que reforçaram a urgência de ações concretas diante dos desafios sociais, econômicos e ambientais contemporâneos. O evento integra o processo nacional da Agenda 2030, iniciativa global da Organização das Nações Unidas (ONU), que busca orientar políticas públicas rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
Logo no início, a mediadora e superintendente de Projetos e Educação Ambiental, Sirlene Almeida, apresentou a metodologia do encontro, que incluiu palestra temática, divisão em grupos de trabalho e elaboração de propostas por eixo. Os participantes foram distribuídos em seis grupos, responsáveis por discutir temas específicos e indicar representantes para as próximas etapas da conferência.
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Geraldo Vítor de Abreu, deixou uma mensagem para o início dos trabalhos do congresso apontando a necessidade de todos permanecerem unidos, “com uma perspectiva de garantir que a sustentabilidade seja para todos, para que o Brasil, efetivamente, dê a toda a nossa população o direito de crescer e ninguém ficar para trás”.
“Mais difícil do que repetir certezas é enfrentar e decifrar as dúvidas do nosso tempo".
Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Geraldo Vítor de Abreu
O superintendente de Participação Popular da Secretaria-Geral, Fagner Sena, destacou que o encontro vai além de um debate técnico, sendo também um espaço de mobilização social.
“Estamos vivendo um momento difícil, tanto no Brasil quanto no mundo,
com desafios ambientais e sociais que acreditávamos já superados.
Realizar uma conferência como essa é buscar respostas coletivas para esse cenário”.
Superintendente de Participação Popular da Secretaria-Geral, Fagner Sena

A participação da sociedade civil também foi apontada como um elemento fundamental no processo. Neides Abreu, representante desse segmento, enfatizou a relevância de garantir diversidade nas discussões.
“Meu eixo é de inclusão, eu tenho deficiência e espero que a gente faça um bom debate e leve propostas que realmente contribuam para as próximas etapas”, disse.
Maria Aline, representante do Instituto Terra Azul classificou o encontro como um marco político importante.
“Estamos caminhando para a primeira Conferência Nacional dos ODS. Precisamos construir juntos um modelo de desenvolvimento com justiça social, econômica e sustentabilidade”, afirmou.
Dando sequência à programação, o palestrante Rodrigo Nunes Ferreira, gerente de Indicadores da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresentou a experiência do Observatório de Belo Horizonte, ressaltando a importância dos indicadores no planejamento e avaliação de políticas públicas.
Segundo ele, a Agenda 2030 funciona como uma diretriz estratégica para gestores públicos e também para iniciativas da sociedade civil, que muitas vezes atuam diretamente na implementação de políticas.
“A política pública não é feita apenas pelo Estado. Muitas iniciativas da sociedade
civil inspiram e orientam ações governamentais”.
Rodrigo Nunes Ferreira, gerente de Indicadores da PBH
Rodrigo diferenciou dois conceitos frequentemente confundidos: monitoramento e avaliação. Enquanto o monitoramento acompanha continuamente os dados de um programa, a avaliação utiliza metodologias mais complexas para identificar se os resultados obtidos são, de fato, consequência das ações implementadas.
O palestrante também contextualizou historicamente os ODS, destacando que eles são resultado de décadas de debates internacionais sobre desenvolvimento sustentável.
Desde conferências ambientais na década de 1970, passando pelo relatório “Nosso Futuro Comum” nos anos 1980 e pela Agenda 21, nos anos 1990, a construção dessa agenda global culminou nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos em 2000.
Os ODS, adotados posteriormente, ampliam esse escopo, passando de 8 para 17 objetivos e incorporando uma abordagem mais integrada e participativa, unindo dimensões sociais, econômicas e ambientais.
“O desafio, agora, é transformar essa agenda em ações concretas. Não basta monitorar, é preciso gerar resultados reais”, destacou.
A conferência seguiu com a organização dos grupos de trabalho, responsáveis por elaborar propostas que serão encaminhadas para as etapas estadual e nacional. Ao final, cada grupo apresentou suas contribuições e elegeram representantes para a continuidade do processo.
De acordo com o subsecretário de Controle e Licenciamento Ambiental, André Marinho, “os ODS representam uma proposta muito relevante para enfrentar desafios globais como pobreza, desigualdade, mudanças climáticas e proteção ambiental além de serem importantes porque promovem uma visão integrada de desenvolvimento não focando apenas no crescimento econômico, mas também em justiça social e equilíbrio ambiental”.
“Ao mesmo tempo, um ponto crítico é que muitos objetivos dependem de compromisso político, investimentos e ações concretas para saírem do papel. Ou seja, os ODS são ambiciosos e necessários, mas sua eficácia depende da implementação real pelos governos, empresas e sociedade”, completou.
O evento reforça o papel da participação social na construção de políticas públicas e evidencia a importância da articulação entre diferentes setores para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável.
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Autor:estagiária Larissa Rodrigues, supervisionada pelo jornalista João Cavalcanti
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